sábado, 30 de abril de 2011

Workshop de Interpretação Musical na Dança

Descrição do Workshop que estarei ministrando no Campo das Tribos

Interpretação Musical na Dança

A interpretação musical é a forma como um artista específico interpreta uma determinada música. Sendo uma interpretação feita por alguém, é algo extremamente pessoal e criativo. Uma mesma música dançada por determinada bailarina pode nos encher os olhos ou entediar. A nossa capacidade de transmitir os sentimentos e emoções de uma música através da dança é uma habilidade a ser exercitada.

Juntas podemos pensar em questões que nos ajudarão a desenvolver nossos sentidos para a percepção musical. Questões como: O que faz você escolher uma música para dançar? Por que essa música e não outra? O que essa música diz para você? O que você quer dizer com ela?

A interpretação musical no contexto da Dança nos permite explorar o aspecto comunicativo da música e do corpo, traduzir uma música através dos nossos gestos e expressões.

Mas então qual música escolher e que caminho seguir dentro dela, já que uma única música nos oferece infinitas possibilidades?

Com esse workshop de Interpretação Musical na Dança pretendemos explorar o lado comunicativo e expressivo da bailarina e todo seu potencial artístico e criativo dentro do Estilo Tribal, treinando nosso ouvido e corpo para que possamos ser como um instrumento tocado pela música.

Os seguintes tópicos serão abordados:

-Como escolher a SUA música.
-O que essa música diz para você e o que você quer dizer com ela?
-Por onde começar a dançá-la?
-Melodia, voz e percussão, o que você escuta e como passa isso para o público através do seu corpo.
-Comunicação, criação e expressão musical em sua performance.




Por Gabriela Miranda
(11) 64926126      

terça-feira, 29 de março de 2011

Dançar e Sonhar: Reflexões sobre o professor e o pequeno aluno

Recentemente andei pensando sobre aulas para crianças... Estou com duas alunas pequenas na minha turma de sábado, já havia dado aula para algumas pequenas no Sul e assisti a uma Baby Class (só o início) de Dança do Ventre na Bele Fusco... Eu achei a aula tão fofa e a professora ensinando com um método tão interessante, empolgante e diferente (que incluía brincadeiras infantis no aprendizado de ritmos árabes) que fiquei tentada a escrever sobre isso...

Todos sabemos que o aprendizado infantil é diferente do adulto. Na criança é importante despertar seu interesse para que ela participe da aula, mas prender sua atenção sempre é um desafio... Também é importante lembrar que não é sempre que a criança está preparada para levar a dança como uma profissão, ou como algo a ser encarado com muitas responsabilidades, por isso mamães, cuidado ao exigirem demais das suas filhotas! Lembrem-se de que elas são crianças e precisam descansar, brincar, comer, correr, se sujar e, principalmente, elas precisam de rotina de criança, vida de criança.

Um pequeno poema sobre isso:
Esta menina tão pequenina quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré, mas sabe ficar na ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá, mas inclina o corpo para cá e para lá.
Não conhece nem lá nem sí, mas fecha os olhos e sorri.
Roda, roda, roda com os bracinhos no ar e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu e diz que caiu do céu.
Esta menina tão pequenina quer ser bailarina, mas depois esquece todas as danças, e também quer dormir como as outras crianças.
(Cecília Meireles)


A dança está ligada a imaginação, ao sonho e ao lúdico, ao brincar; por isso ajuda a criança a se expressar melhor e externalizar sentimentos e emoções. Cabe ao professor compartilhar o seu saber de maneira interessante e, assim, ajudar a criança a experimentar a dança...



Pesquisando sobre isso me deparei com frases reflexivas de uma bailarina clássica sobre aulas de dança para crianças, compartilho com vocês:

"Dançar e Sonhar

- A Dança nasce da necessidade de se dizer o indizível, pois nada é mais revelador que o próprio gesto.
- Procuramos trabalhar na criança essa linguagem corporal, essa universalidade, para que se consiga um interior rico em potencialidades. A criança que pratica uma atividade física, seja ela qual for, desde que bem orientada, tem uma vida mais saudável.
- Aquele que deseja ser professor de uma criança precisa compreendê-la em sua totalidade, sua alma, seu viver, seu pensar e seu sentir.
- Não fortalecerás a dignidade e o potencial da criança se subtraíres a iniciativa de sua liberdade.
- O Professor não ensina, ele ajuda o aluno a aprender, portanto o conhecimento pode ser transmitido, mas o saber e a aprendizagem só podem ser construídos.
- Na dança não é suficiente apenas sentir o que se faz, mas transmitir o que se sente.
- A criança que cresce em um ambiente rico em estímulos é mais apta, mais saudável e mais feliz.
- Não se trata de deixar a criança fazer o que quer, mas levá-la a querer tudo aquilo que faz.
- A criança aprende mais através do elogio e do prazer do que pela censura e frustração.
- Professores despreparados + Mau ensino da Técnica = talentos desperdiçados e físicos deformados.
- Na medida em que o educador está melhor preparado, assim será respeitado por seus alunos e despertará neles o interesse pelo estudo e pela profundidade dos conhecimentos.
- O impossível pode ser dividido numa série de pequenos possíveis."


Professora Wanda Bambirra:
- Professora, Coreógrafa Maitre de Ballet Clássico
   - Diretora da Academia Wanda Bambirra
   - Dentre os diversos cursos no Brasil e no exterior, destacam-se:
      - Instituto Nacional de Belas Artes(IMBA)/México
   - II Encontro Latino Americano sobre Ensino Artístico (incluindo curso de Psicoballet Dançaterapia). Hawana/Cuba
      - Royal Academy of Dancing e The Urdang Academy of Ballet. Londres/ Inglaterra
      - I Congresso Internacional sobre Dança. Rio de Janeiro/Brasil
      - Aptidão Física e Saúde da Criança - Associação Médica de Minas Gerais.

-do site http://www.academiawb.com.br/dancaresonhar/index.html



É claro que essas reflexões são dirigidas aos pequeninos, mas muitas frases escritas pela autora podem ser aplicadas à dança e alunos em geral, independente da idade, né? =)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Fusão ou Colagem? Tribal ou Dança do Ventre?

Assistindo a alguns vídeos de solos de "Tribal Fusion" eu não pude deixar de refletir sobre como as pessoas confundem Dança do Ventre com Tribal Fusion e Tribal Fusion com Fusão.

Então vamos por partes, quem nem o Jack The Ripper... =P

Como acho que o povo já sabe o que é Dança do Ventre, vou pular essa parte. Então, o que é Fusão?

Mais uma vez citando a Mira Betz (sei que vocês devem estar cheias disso já! rs) na Argentina "A maioria das dançarinas pega um pouco de cada dança e faz uma colagem de figuras, não uma fusão. Ok, aqui está meu mudra indiano, agora meus floreios flamencos, aqui meu maia de dança do ventre... E onde está a Fusão nisso tudo?".

A Fusão é a "mistura" de dois ou mais estilos de dança de maneira  natural e fluída. Para tanto a bailarina deve ter um mínimo de conhecimento e estudo sobre os Estilos que vai fundir. Por isso não me apetece muito quando vejo bailarinas que simplesmente colam um passo com outro de diversos estilos de dança, sem colocar nem um pouco do seu estilo pessoal, ou de fluidez...

Acho que o legal seria se estudássemos as danças que pretendemos fundir em sua origem para que elas entrassem em nossa memória muscular e ali ficassem, de maneira que seria impossível não fazer um floreio em uma performance, ou um maia, ou um mudra que seja, por estes movimentos já estarem fazendo parte do seu repertório "inconsciente", digamos assim.

Acredito sim que muitas bailarinas profissionais que conheço atingiram esse estágio de Fusão no Tribal, e geralmente são aquelas que são mais elogiadas nesse estilo. Citando algumas: Kilma Farias funde Tribal com Ritmos brasileiros com uma naturalidade incrível. Bela Saffe com Dança Indiana, lindamente. Na Mariana Quadros vejo bastante ATS, locking e poping e braços do Flamenco. Só citando algumas profissionais reconhecidas.

Então, continuando, acho que por agora todo mundo que conhece Tribal já sabe - ou deveria saber - que é uma Fusão de Danças Étnicas que veio do American Tribal Style (ATS), explicando bem resumidamente. Então, eu me pergunto, por que ainda vemos tantas performances em que há só e completamente Dança do Ventre na técnica da dançarina enquanto ela se diz bailarina de Tribal Fusion?? Ou ainda performances que fundem sim elementos de diversas danças, mas ainda assim não podem ser consideradas como Tribal Fusion, e sim apenas como Fusão? Por que ainda vemos tantas bailarinas se encherem de búzios e fazerem movimentos vampirescos, grotescos e muitas vezes, exagerados, achando que estão fazendo Tribal? (gente, não tô falando mal do Gothic nem do Dark, que eu AAAAAAMO e todo mundo sabe que é meu estilo favorito, estou falando de Tribal Fusion feito por pessoas quase leigas.)

De onde veio a idéia de que Tribal é o lado negro da Dança do Ventre?

Eu não sei para as outras bailarinas, tirando as minhas amigas com as quais já conversei sobre isso, mas para mim Tribal NÃO É Dança do Ventre. Também não é Flamenco. Também não é Breakdance. Tribal é Tribal. Fusão é Fusão. Ponto. São coisas DIFERENTES.

Mas então o que define uma apresentação como Tribal Fusion, Dança do Ventre ou somente Fusão? Agora, essa é uma questão delicadíssima. Mas vou dar minha humilde e sincera opinião. Para mim, e estou dizendo que isso não é receita de bolo nem regra de nada, PARA MIM é o American Tribal Style. Sinto muito. Para mim em aulas de Tribal passos de ATS devem ser ensinados, mesmo que estilizados para o Fusion. E sim, eu gosto de ver ATS em solos de Fusion. Maaaaas, não é só isso. Uma performance pode sim, muito bem, não ter um único passo de ATS e ser Tribal Fusion sim. Aí, repito, PARA MIM depende da postura da bailarina (lembram que o ATS tem aquela postura orgulhosa do Flamenco? pois é...), da interpretação, expressão e... da Fusão. Sim, porque se eu só vejo Dança do Ventre numa apresentação, me desculpem, mas mesmo se a bailarina estiver coberta de búzios e penas, eu vou ver Dança do Ventre e deu.

Muitas vezes vejo uma performance e me pergunto, cadê o Tribal desse Fusion? Porque a bailarina pega, de novo, um passo de cada Dança Étnica, faz aquela colagem da qual falamos antes e diz que é Tribal. Por que nomeiam qualquer tentativa de Fusão por aí como sendo Tribal? Acho que devemos prezar mais pela qualidade do nosso Tribal. Eu digo isso numa boa, não como bailarina, mas como espectadora. Já é difícil para o público leigo entender a diferença entre Dança do Ventre e Tribal, portanto, cabe a nós, bailarinas, deixar isso bem claro para todos, inclusive para nós mesmas. E isso significa ESTUDAR, meninas. ESTUDAR AMERICAN TRIBAL STYLE e estudar os outros estilos que você quer usar no Fusion do seu Tribal.

Não tem dinheiro? Ótimo. Estude como pode. Pesquise, veja vídeos no Youtube, com parcimônia, claro. Pergunte para pessoas com mais experiência que você, corra atrás! É o seu nome que vão anunciar quando você subir no palco. Se você fizer feio, fica feio só para você.

Agora, se você não quer se rotular, não tem problema! Eu mesma odeio rótulos. Mas então se você não sabe diferenciar uma coisa da outra, não diga que dança Tribal. Diga Dança do Ventre, ou Dança do Ventre Fusão no máximo. As dancers americanas não costumam se definir como bailarinas de Tribal... a Asharah mesmo já se revoltou com isso de Tribal e declarou aos quatro ventos que dança BELLYDANCE sim, dá licença. A Rachel Brice diz que faz Bitter Oriental Dance... De qualquer maneira, conheça o que você está fazendo antes de nomear, rotular, e assinar em três vias autenticadas.

Desculpem, pequeno desabafo quanto a ignorância do que é Fusão e Tribal por parte das próprias pessoas que dançam e deveriam, mais do que ninguém, saber o que estão fazendo e ajudar a desfazer os pequenos mal-entendidos que pipocam por ai.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Dança e Honestidade

“É muito importante, quando a gente faz qualquer coisa na vida, que a gente faça com honestidade.” André Matos (créditos ao Programa Moita RockTv)



Recentemente eu tenho refletido muito sobre honestidade na dança. Não não estou falando de enganar ou não as amigas tribais, nada a ver com isso. Estou falando de ser honesta na dança, com o público, com quem te vê dançar.

Dando aula eu me peguei falando sobre como eu gosto de improvisar. Eu nunca coreografo meus solos porque eu não acho – olha essa palavra de novo! - honesto. Não estou defendendo o improviso, condenando os solos coreografados, nada disso! Acho que se essa (coreografia) é a forma pela qual você consegue dançar e se expressar, perfeito! E também dá para combinar momentos coreografados com improvisados, sem problema... Mas eu gosto da sensação de subir no palco e deixar a música falar comigo e o meu corpo falar para o público. Mesmo que no momento ele só esteja expressando nervosismo! Gosto da sensação do inesperado, do novo, da euforia, da troca com aquele público que me vê naquele momento, porque isso varia tanto! Mas não estou sendo completamente honesta: eu não consigo coreografar meus solos, eu já tentei, mas quando chega na hora eu faço tudo diferente... Bom, improviso e coreografia dá assunto para outro post, falamos disso depois... hehe.

Na Argentina, nos workshops da Mardi Love, me lembro claramente dela falando sobre como é importante mesclar momentos de coreografia com improviso nos nossos solos, de como é importante se permitir. Me lembro também da Mira Betz dizendo que o palco é um lugar experimental, onde podemos exercitar a nossa criatividade. E que devemos sempre aproveitar o que estamos fazendo. Me lembro de outra vez falar com a Ariellah sobre como é importante estar no palco quando se está dançando, realmente estar ali naquele momento, e não pensando na conta que vai vencer, no figurino novo ou no namorado...

Pois bem, com duas alunas minhas fiz a seguinte reflexão: “Como desenvolver seu estilo próprio e mostrá-lo no palco?” Como mostrar o que você é, o que você quer dizer, transmitir, expressar, desenvolver de uma maneira clara, na qual sua mensagem seja perfeitamente compreendida?

A resposta para mim é clara e simples: seja honesta. Honesta consigo mesma e com o público. Muitas dançarinas tentam fazer no palco coisas que ainda não tem habilidade para fazer. Grandes performances, shows de flexibilidade, passos elaboradíssimos. Você não precisa disso, você já é você. É única. Insubstituível. Portanto, seja honesta. Mostre para o público o que você SABE fazer. O que está em você. O que está completamente absorvido pelo seu corpo e reside em sua memória muscular. Não queira impressionar, não queira impactar. Dance sendo você, apenas você.

Eu percebi que minhas melhores performances foram aquelas que dancei despreocupada. Que simplesmente curti a música e o momento. Agora tento subir no palco e dançar o que me vem à cabeça e aos pés. É simples. A música lhe diz o que fazer.

Lógico que é extremamente difícil esvaziar a mente e deixar-se levar, ninguém está discutindo isso. Mas tente, experimente! Não se preocupe com a técnica no palco, o momento de treinar e se preocupar foi antes, nos ensaios e treinos, agora no palco, liberte-se!

O mais importante é que você não precisa da aprovação do público para experimentar, criar, para expressar quem você é. Você pode fazer isso a qualquer momento. Por que deixamos de nos revelar no palco? Por que nos escondemos embaixo de búzios e penas? Mostre quem você é e o que você tem a dizer. Não duvide da capacidade de expressão da sua dança. As pessoas percebem quando há algo a ser dito por quem dança. E as pessoas irão reconhecer o quão especial você pode ser.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Outra Entrevista com Ariellah


Traduzido livremente por Gabirela Miranda do site www.underthesunbellydancebazaar.com/under_the_sun_light




foto tirada por mim na Argetina, Buenos Aires.


Nome: Ariellah



Local: Bay Area/Oakland (perto de San Francisco), California, EUA



Como você se envolveu com a Dança do Ventre?

Eu cresci em uma família marroquina com muitas danças, festividades e rituais e estive perto da Dança do Ventre por toda a minha vida e percebi, no final da minha adolescência, que em algum momento eu gostaria de aprendê-la técnicamente. Então em torno dos meus 20 anos eu estava em um ponto em minha vida no qual eu tinha tempo de ter uma aula e daquele momento em diante, naquela primeira aula, foi amor à primeira vista... Eu senti a dança correndo em minhas veias.


Por que você ama dançar?

Eu acredito que pelos mesmos motivos pelos quais eu quis tentar fazer dança do ventre... Desde que eu nasci e desde quando eu consigo me lembrar sempre teve música, cantoria, palmas, dança e assobios em minha casa. Meu pai tem oito irmãos e irmãs, a maioria vivendo perto de nós e sempre estivemos juntos ou muito perto e sempre teve muita dança nisso tudo. Eu ainda me lembro do meu pai sempre aplaudindo e cantando para mim... E eu acho que isso me incutiu um amor por todas as coisas que envolvem música e dança. Eu estive imersa nisso desde que nasci. Eu também comecei meu treinamento em ballet clássico aos 3 anos, e permaneci até a minha adolescência, e retomei a dança aos meus 20, então, novamente, eu estava completamente imersa na cultura da dança. Eu me lembro que aos meus 18 anos o meu pai me levou ao meu primeiro clube noturno... Com certeza era um lugar meio nojento em Beverly Hills on Rodeo Drive, mas contudo, nós fomos e dançamso até cair! Eu sempre amei dançar, seja profissionalmente, ou em pistas de dança de clubes noturnos, ou em festas familiares... E, além de todas essas razões, eu simplesmente sinto a dança em meu coração. Eu anseio dançar o tanto quanto eu consiga. Isso acalma a minha alma.


Você ensina?

Sim, eu ensino dança do ventre aqui em minha casa e por todo o mundo.



Como a dança do ventre mudou sua vida?

Eu acredito que a dança do ventre me trouxe mais perto da minha ancestralidade e ainda me deu muito mais contentamento interior em tantos níveis diferentes e isso ainda me permitiu a honra de conhecer e me tornar amiga de algumas das mais incríveis mulheres que eu já conheci...


Onde podemos ver você se apresentar?

Você pode me ver apresentar por todo o mundo, desde em pequenos encontros como as haflas, até grandes produções teatrais, até galerias de arte e festivais em clubes noturnos... em todo o lugar!


O que inspira você?

A música é inteiramente a minha musa. Não há nenhum engano ou hesitação quanto a isso.

Que música faz você dançar?

Meu gosto é bem eclético... Mas eu acho que trilhas sonoras e um pouco de músicas pouco usadas, músicas melancólicas mexem comigo na maioria... músicas com um pouco de profundidade contida nelas.


Qual dica você sente ser a mais útil que você poderia dar a alguém?

Praticar e treinar consistentemente, mesmo se for apenas uma ou duas vezes por semana... Ficar mais forte, físicamente e mentalmente... E construir confiança em sua própria prática em dança e em seu coração.


Como alguém pode contatar você?

Eles podem em procurar em meu site www.ariellah.com e me mandar emails... E eu também estou no tribe.net, myspace e facebook.
 
*Não consegui achar no site a data da entrevista =/

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Rótulo - o código de barra das bailarinas?

O ser humano tem necessidade de classificar e ordenar as coisas por natureza. O cérebro processa melhor a informação quando esta já vem organizada e sistematizada. Sendo assim, é comum olharmos para alguém e atribuir uma característica específica para essa pessoa, adjetivos como: simpática/antipática, sincera/falsa, bonita/feia, etc. Contudo, repetidas vezes nos deparamos com rótulos que a sociedade inventou para generalizar o que é tão singular. Rótulos como “patricinhas”, “playboys”, “emos”, “manos”, “punks”, “funkeiras”, “góticos” e etc. E ainda aqueles ofensivos: “perdedor”, “mandona”, “bêbado”, “viciado”, etc. Mas até que ponto um modo de se vestir ou a ideologia de alguém define quem essa pessoa realmente é? Será possível em uma palavra sintetizar tudo o que esse ser humano pode nos mostrar e oferecer?

Cada pessoa é atravessada por milhões de opiniões, pensamentos, questões, vivências e experiências tão diversas que se torna impossível encaixá-lo em um padrão.

Dentro dos rótulos, esquecemos o que é real e o que é ilusório, ou seja, não sabemos mais o que o rótulo realmente representa nem o que representava inicialmente porque criamos características para ele de acordo com os nossos próprios conceitos e preconceitos. Preferimos rotular para saber o que esperar de determinada pessoas ou situação em que nos encontramos, mas essa falsa sensação de seguranças poderá e com certeza um dia irá, nos puxar o tapete. As pessoas não podem ser sistematizadas, medidas. É simples: você não é o que você veste, o que você come, o que você vê, o que você fala. Não, você também não é só o que você sente, nem o que você pensa. Você é um conjunto de tudo isso e mais um pouco, portanto rotulá-lo é tentar medir o imensurável. É limitar o ilimitado.

Há um tempo venho pensado sobre esse assunto meio controverso dentro da Fusão em Dança do Ventre... Recentemente temos visto surgir diversos "estilos" de Fusão e Tribal... Independente do estilo de cada um, o que não estou pondo em discussão aqui, gostaria de tentar entender por que as pessoas tem necessidade de se rotularem tanto. Aquela pessoa é aquilo, essa aqui é tal coisa... Aquela dança Tribal Cabaret Super Master Fusion, essa dança Tribal Dark Mega Gothic Fusion...

Eu acredito que a Dança, sendo uma forma de Arte, deve ser respeitada em sua essência... Sem precisar ser o tempo toda explicada, medida, qualificada, quantificada.

Eu sinceramente não sei que Estilo de fusão ou até de Tribal eu faço, até porque sou meio Raul Seixas sabe, metamorfose ambulante, e sinceramente, não me preocupo muito com isso... E eu estava discutindo isso com uma amiga, estávamos conversando sobre a volta das dancers famosas (Rachel Brice, Zoe Jakes e, pasmem, até a Asharah super Dark) ao Estilo Cabaret Tradicional, a Dança do Ventre mesmo. Eu então comentei que aí deixava de ser Tribal, que seria Dança do Ventre mesmo com as roupas diferentes, porque então dizer que faz Tribal? E essa amiga minha falou "Mas elas não dizem que dançam Tribal. Elas são dançarinas e ponto." Ou seja, elas não se rotulam.

Então porque dependemos tanto de classificações e medidas para nossa dança? Você é a mesma pessoa que era quando começou a dançar? Se o seu estilo se modificou, evoluiu, porque você deve se manter presa a um rótulo ou classificação inicial?

Eu acredito que, nós, bailarinas, não devemos defender um Estilo específico ou técnica o tempo todo, e sim, devemos nos importar em defender a dança como um todo. Praticar e ter aulas de qualquer estilo que possa nos acrescentar algo e ter em mente que a dança deve expressar o que sentimos e não refletir as nossas vaidades e pretensões. Devemos dançar para expressar, comunicar. Nos concentrar e conectar com as emoções mais profundas e verdadeiras que possamos sentir, para que o público reconheça a Arte no que estamos fazendo, e não apenas um corpo dançando.

Afinal, rotular é limitar.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Tradução de Entrevista com Ariellah

(traduzido livremente do blog Begginer's Guide To Bellydance: