Um Blog com as minhas reflexões malucas! Essencialmente sobre Dança, Arte e assuntos relacionados...
sábado, 30 de abril de 2011
Workshop de Interpretação Musical na Dança
terça-feira, 29 de março de 2011
Dançar e Sonhar: Reflexões sobre o professor e o pequeno aluno
Um pequeno poema sobre isso:
Esta menina tão pequenina quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré, mas sabe ficar na ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá, mas inclina o corpo para cá e para lá.
Não conhece nem lá nem sí, mas fecha os olhos e sorri.
Roda, roda, roda com os bracinhos no ar e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu e diz que caiu do céu.
Esta menina tão pequenina quer ser bailarina, mas depois esquece todas as danças, e também quer dormir como as outras crianças.
(Cecília Meireles)
"Dançar e Sonhar
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Fusão ou Colagem? Tribal ou Dança do Ventre?
Então vamos por partes, quem nem o Jack The Ripper... =P
Como acho que o povo já sabe o que é Dança do Ventre, vou pular essa parte. Então, o que é Fusão?
Mais uma vez citando a Mira Betz (sei que vocês devem estar cheias disso já! rs) na Argentina "A maioria das dançarinas pega um pouco de cada dança e faz uma colagem de figuras, não uma fusão. Ok, aqui está meu mudra indiano, agora meus floreios flamencos, aqui meu maia de dança do ventre... E onde está a Fusão nisso tudo?".
A Fusão é a "mistura" de dois ou mais estilos de dança de maneira natural e fluída. Para tanto a bailarina deve ter um mínimo de conhecimento e estudo sobre os Estilos que vai fundir. Por isso não me apetece muito quando vejo bailarinas que simplesmente colam um passo com outro de diversos estilos de dança, sem colocar nem um pouco do seu estilo pessoal, ou de fluidez...
Acho que o legal seria se estudássemos as danças que pretendemos fundir em sua origem para que elas entrassem em nossa memória muscular e ali ficassem, de maneira que seria impossível não fazer um floreio em uma performance, ou um maia, ou um mudra que seja, por estes movimentos já estarem fazendo parte do seu repertório "inconsciente", digamos assim.
Acredito sim que muitas bailarinas profissionais que conheço atingiram esse estágio de Fusão no Tribal, e geralmente são aquelas que são mais elogiadas nesse estilo. Citando algumas: Kilma Farias funde Tribal com Ritmos brasileiros com uma naturalidade incrível. Bela Saffe com Dança Indiana, lindamente. Na Mariana Quadros vejo bastante ATS, locking e poping e braços do Flamenco. Só citando algumas profissionais reconhecidas.
Então, continuando, acho que por agora todo mundo que conhece Tribal já sabe - ou deveria saber - que é uma Fusão de Danças Étnicas que veio do American Tribal Style (ATS), explicando bem resumidamente. Então, eu me pergunto, por que ainda vemos tantas performances em que há só e completamente Dança do Ventre na técnica da dançarina enquanto ela se diz bailarina de Tribal Fusion?? Ou ainda performances que fundem sim elementos de diversas danças, mas ainda assim não podem ser consideradas como Tribal Fusion, e sim apenas como Fusão? Por que ainda vemos tantas bailarinas se encherem de búzios e fazerem movimentos vampirescos, grotescos e muitas vezes, exagerados, achando que estão fazendo Tribal? (gente, não tô falando mal do Gothic nem do Dark, que eu AAAAAAMO e todo mundo sabe que é meu estilo favorito, estou falando de Tribal Fusion feito por pessoas quase leigas.)
De onde veio a idéia de que Tribal é o lado negro da Dança do Ventre?
Eu não sei para as outras bailarinas, tirando as minhas amigas com as quais já conversei sobre isso, mas para mim Tribal NÃO É Dança do Ventre. Também não é Flamenco. Também não é Breakdance. Tribal é Tribal. Fusão é Fusão. Ponto. São coisas DIFERENTES.
Mas então o que define uma apresentação como Tribal Fusion, Dança do Ventre ou somente Fusão? Agora, essa é uma questão delicadíssima. Mas vou dar minha humilde e sincera opinião. Para mim, e estou dizendo que isso não é receita de bolo nem regra de nada, PARA MIM é o American Tribal Style. Sinto muito. Para mim em aulas de Tribal passos de ATS devem ser ensinados, mesmo que estilizados para o Fusion. E sim, eu gosto de ver ATS em solos de Fusion. Maaaaas, não é só isso. Uma performance pode sim, muito bem, não ter um único passo de ATS e ser Tribal Fusion sim. Aí, repito, PARA MIM depende da postura da bailarina (lembram que o ATS tem aquela postura orgulhosa do Flamenco? pois é...), da interpretação, expressão e... da Fusão. Sim, porque se eu só vejo Dança do Ventre numa apresentação, me desculpem, mas mesmo se a bailarina estiver coberta de búzios e penas, eu vou ver Dança do Ventre e deu.
Muitas vezes vejo uma performance e me pergunto, cadê o Tribal desse Fusion? Porque a bailarina pega, de novo, um passo de cada Dança Étnica, faz aquela colagem da qual falamos antes e diz que é Tribal. Por que nomeiam qualquer tentativa de Fusão por aí como sendo Tribal? Acho que devemos prezar mais pela qualidade do nosso Tribal. Eu digo isso numa boa, não como bailarina, mas como espectadora. Já é difícil para o público leigo entender a diferença entre Dança do Ventre e Tribal, portanto, cabe a nós, bailarinas, deixar isso bem claro para todos, inclusive para nós mesmas. E isso significa ESTUDAR, meninas. ESTUDAR AMERICAN TRIBAL STYLE e estudar os outros estilos que você quer usar no Fusion do seu Tribal.
Não tem dinheiro? Ótimo. Estude como pode. Pesquise, veja vídeos no Youtube, com parcimônia, claro. Pergunte para pessoas com mais experiência que você, corra atrás! É o seu nome que vão anunciar quando você subir no palco. Se você fizer feio, fica feio só para você.
Agora, se você não quer se rotular, não tem problema! Eu mesma odeio rótulos. Mas então se você não sabe diferenciar uma coisa da outra, não diga que dança Tribal. Diga Dança do Ventre, ou Dança do Ventre Fusão no máximo. As dancers americanas não costumam se definir como bailarinas de Tribal... a Asharah mesmo já se revoltou com isso de Tribal e declarou aos quatro ventos que dança BELLYDANCE sim, dá licença. A Rachel Brice diz que faz Bitter Oriental Dance... De qualquer maneira, conheça o que você está fazendo antes de nomear, rotular, e assinar em três vias autenticadas.
Desculpem, pequeno desabafo quanto a ignorância do que é Fusão e Tribal por parte das próprias pessoas que dançam e deveriam, mais do que ninguém, saber o que estão fazendo e ajudar a desfazer os pequenos mal-entendidos que pipocam por ai.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Dança e Honestidade
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Outra Entrevista com Ariellah
Traduzido livremente por Gabirela Miranda do site www.underthesunbellydancebazaar.com/under_the_sun_light
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Rótulo - o código de barra das bailarinas?
O ser humano tem necessidade de classificar e ordenar as coisas por natureza. O cérebro processa melhor a informação quando esta já vem organizada e sistematizada. Sendo assim, é comum olharmos para alguém e atribuir uma característica específica para essa pessoa, adjetivos como: simpática/antipática, sincera/falsa, bonita/feia, etc. Contudo, repetidas vezes nos deparamos com rótulos que a sociedade inventou para generalizar o que é tão singular. Rótulos como “patricinhas”, “playboys”, “emos”, “manos”, “punks”, “funkeiras”, “góticos” e etc. E ainda aqueles ofensivos: “perdedor”, “mandona”, “bêbado”, “viciado”, etc. Mas até que ponto um modo de se vestir ou a ideologia de alguém define quem essa pessoa realmente é? Será possível em uma palavra sintetizar tudo o que esse ser humano pode nos mostrar e oferecer?
Cada pessoa é atravessada por milhões de opiniões, pensamentos, questões, vivências e experiências tão diversas que se torna impossível encaixá-lo em um padrão.
Dentro dos rótulos, esquecemos o que é real e o que é ilusório, ou seja, não sabemos mais o que o rótulo realmente representa nem o que representava inicialmente porque criamos características para ele de acordo com os nossos próprios conceitos e preconceitos. Preferimos rotular para saber o que esperar de determinada pessoas ou situação em que nos encontramos, mas essa falsa sensação de seguranças poderá e com certeza um dia irá, nos puxar o tapete. As pessoas não podem ser sistematizadas, medidas. É simples: você não é o que você veste, o que você come, o que você vê, o que você fala. Não, você também não é só o que você sente, nem o que você pensa. Você é um conjunto de tudo isso e mais um pouco, portanto rotulá-lo é tentar medir o imensurável. É limitar o ilimitado.
Há um tempo venho pensado sobre esse assunto meio controverso dentro da Fusão em Dança do Ventre... Recentemente temos visto surgir diversos "estilos" de Fusão e Tribal... Independente do estilo de cada um, o que não estou pondo em discussão aqui, gostaria de tentar entender por que as pessoas tem necessidade de se rotularem tanto. Aquela pessoa é aquilo, essa aqui é tal coisa... Aquela dança Tribal Cabaret Super Master Fusion, essa dança Tribal Dark Mega Gothic Fusion...
Eu acredito que a Dança, sendo uma forma de Arte, deve ser respeitada em sua essência... Sem precisar ser o tempo toda explicada, medida, qualificada, quantificada.
Eu sinceramente não sei que Estilo de fusão ou até de Tribal eu faço, até porque sou meio Raul Seixas sabe, metamorfose ambulante, e sinceramente, não me preocupo muito com isso... E eu estava discutindo isso com uma amiga, estávamos conversando sobre a volta das dancers famosas (Rachel Brice, Zoe Jakes e, pasmem, até a Asharah super Dark) ao Estilo Cabaret Tradicional, a Dança do Ventre mesmo. Eu então comentei que aí deixava de ser Tribal, que seria Dança do Ventre mesmo com as roupas diferentes, porque então dizer que faz Tribal? E essa amiga minha falou "Mas elas não dizem que dançam Tribal. Elas são dançarinas e ponto." Ou seja, elas não se rotulam.
Então porque dependemos tanto de classificações e medidas para nossa dança? Você é a mesma pessoa que era quando começou a dançar? Se o seu estilo se modificou, evoluiu, porque você deve se manter presa a um rótulo ou classificação inicial?
Eu acredito que, nós, bailarinas, não devemos defender um Estilo específico ou técnica o tempo todo, e sim, devemos nos importar em defender a dança como um todo. Praticar e ter aulas de qualquer estilo que possa nos acrescentar algo e ter em mente que a dança deve expressar o que sentimos e não refletir as nossas vaidades e pretensões. Devemos dançar para expressar, comunicar. Nos concentrar e conectar com as emoções mais profundas e verdadeiras que possamos sentir, para que o público reconheça a Arte no que estamos fazendo, e não apenas um corpo dançando.
Afinal, rotular é limitar.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Tradução de Entrevista com Ariellah
Essa entrevista é de 2008, sendo que de lá para cá Ariellah acrescentou muitas coisas ao seu estilo único de dançar... Contudo, ainda explica muito de suas influências e de sua origem. Achei legal compartilhar. Tradução livre feita por mim :P Por favor, se forem reproduzir me avisem, ok? "Ariellah é uma pioneira na Dança do Ventre Gótica. Ela aparece na Capa do Beginner's Guide To Bellydance, e também na capa do CD de Fusão que vem separado. Aqui vai uma breve sessão de perguntas e respostas que fizemos muito recentemente: 1)Como você começou na Dança do Ventre? Ariellah: Eu venho de uma família marroquina e venho dançando dança do ventre e dança em geral por toda a minha vida. Faz parte de todo o meu ser, contudo, eu nunca soube como dançar dança do ventre tecnicamente e quando estava perto dos meus 20 anos eu disse a mim mesma que em algum momento eu iria fazer aulas de dança do ventre. Eu finalmente fiz e a partir daquela primeira aula foi amor à primeira vista, embora meu corpo não soubesse disso. 2)Qual estilo de Dança do Ventre mais atrai você? Ariellah: Fusão. Eu amo a liberdade criativa e expressão que ela proporciona, e a fusão e acréscimo de diferentes danças étnicas. Ainda assim me mantenho fiel aos movimentos clássicos orientais. 3)Quem foram suas professoras e quem foi sua maior influência? Ariellah: Minhas professoras foram: Janine Ryle, Rachel Brice, Rashid e Mardi Love. Embora Rachel Brice e Mardi Love tenham sido minhas maiores influências. 4)Quanto tempo levou para você desenvolver seu próprio estilo? Ariellah: Provavelmente cerca de 3 ou mais anos e eu AINDA estou desenvolvendo meu estilo diariamente. 5) Como você descreveria seu estilo? Ariellah: Dark Fusion. 6)Quanto você pratica? Qual é sua rotina diária de dança do ventre? Ariellah: Eu pratico, quando estou em casa, 5 dias por semana, ainda mais se tiver muitos shows e eventos agendados. Eu pratico Yoga 6 dias por semana e treino de 2 a 3 horas por dia. 7)Para onde você acha que a Dança do Ventre vai nos próximos anos? Ariellah: Eu sinto, e espero que meus sentimentos sejam verdade, que a dança do ventre será vista como uma verdadeira habilidosa e muito respeitada forma de arte e será trazida para Teatros em todos os lugares, como o Ballet e as Orquestras. 8)Onde as pessoas podem te achar, ver você se apresentar e ir às suas aulas? Ariellah: As pessoas podem falar comigo online e na vida real, na maior parte do tempo, na área da baía (de San Francisco). Mas eu viajo um pouco e qualquer um pode descobrir onde estou e vir ao meu show ou workshop checando através do meu site: www.ariellah.com 9)Você tem figurinos e acessórios maravilhosos, de onde você os tira? Ariellah: Eu geralmente faço todos os meus cintos, painéis e saias e grande parte dos meus tops/sutiãs, e alguns dos meus figurinos vem da Christina da Black Lotus Clothing. Ela é incrível! 10)Qual sua música preferida para se apresentar? Ariellah: Dark City Theme Song, The Lantern e minha música sobre lobos... 11)Recentemente, eu ouvi que a Rachel Brice foi influenciada por você ao fazer seus famosos pops e locks. Isso é verdade? Qual é a verdadeira história? Ariellah: Eu estou animada por ter a oportunidade de responder essa questão para a comunidade da dança do ventre! Eu não inventei os pops e locks, eu acredito que as dançarinas do ventre têm feito isso há séculos. Contudo eu acredito que em 2002, quando dançava no restaurante Amira com The Indigo, quando apresentei meu primeiro solo com o The Indigo, eu havia deixado o palco e Rachel Brice gritou “O QUE FORAM AQUELAS PARADAS E TIQUES QUE VOCÊ ESTAVA FAZENDO LÁ EM CIMA? AQUILO FOI TÃÃÃÃO LEGAL! UAU!” e eu respondi, “Eu não sei, eu só faço isso quando danço em casa e em casas noturnas góticas e eu pensei que seria legal e criativo e experimentei adicioná-los ao meu solo.” E conseqüentemente, dali por diante, Eu fiz esses pequenos tiques e paradas ao dançar e eu acredito que Rachel também irá dizer a você que ela mesma incorporou esses movimentos aos seus próprios solos também. Parece que se tornou algo bastante popular entre a comunidade de dança do ventre desde então..." Uma coisa legal que vale a pena acrescentar é que a Ariellah agora está tendo aulas semanais com a Suhaila Salimpour... E que ela contou essa história da Rachel Brice no workshop da Argentina também!! Muito legal ver como uma bailarina cria e desenvolve seu próprio estilo... Vídeos da Ariellah na Argentina: |





